Entre Brotações e Espevitamentos
Penso que o tempo ajudar a enxergar as brotações,
em sua convivência com os espevitamentos.
Percebo, hoje, que, nos encontros, há composições de beleza e potência.
Assim, pressinto o gosto e o alimento, transpassados de suavidades.
Talvez sejam floresceres, resultantes de vislumbres ou saudade.
Nem tudo, no entanto, é suavidade, em meio a tanto, tão forte...
Detenho-me, sentindo a variança do verde e do dourado.
São riscos de produção de ranhuras e cortes,
mas também insinuações de devires e gostos partilhados...
sabores, amores, sustentos existenciais.
Então, há estremecimentos de enriçamentos
‘espetantes’ e expectantes.
São brotos insinuados de quereres,
Provocações e luminâncias de esperas,
rompendo a crosta dos meus dias,
na contínua trama de brotações espevitadas.
Em meio a provocações e espevitamentos,
às vezes um ramo, um riso de canto, um olhar, um cacho desalinhado,
um poema, uma canção, o riscado de uma colcha,
o desalinhar das dobras apressadas,
a ranhura das paredes, no deslizamento dos dias...
Um broto de passado se solta em douradas insinuações...
São abalos sísmicos das muralhas dos corredores internos,
acionamentos dos fluxos de rios e mares, ‘a-mares’...
Eu não tenho certezas sobre o devir brotações,
mas, em meio à luz e à ousadia dos espevitamentos,
na trama toda e, nas nuanças de dourado,
compreendo que há sempre Esperança, como andança de Vida!
Maria Luiza Cardinale Baptista
(Foto João Romanini)


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